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Artigos
Tomo I
Formato 125 x 205 mm, 168 páginas, brochura (Coleção Baianada, vol.9/1992)
Coletânea de 3 artigos, ilustrados com 3 fotografias de Pierre Verger.
Preço: R$20,00    OBS: Postagem gratuita em todo o território brasileiro
Artigos  I. Esplendor e decadência do culto de Ìyàmì Òsòròngà, minha mãe a feiticeira, entre os iorubas (pág. 5/91)
( Pierre Verger, tradução de Tasso Gadzanis ) Este artigo (cujo título do original francês é Grandeur e décadence du culte de Ìyàmì Òsòròngà, publicado em 1956 no Journal de la Société des Africanistes, Tomo XXXV, fascículo 1, Paris), "é baseado em alguns itans, histórias conhecidas dos babalaôs iorubas. Estes contos são transmitidos oralmente de geração em geração, e fazem parte de numerosos textos, repartidos entre os 256 odus - signos, a partir dos quais os babalaôs fazem a interpretação do ifá, sistema de adivinhação cuja estrutura e mecanismo foram estudados por Bernard Maupoil (in La Géomancie à l’ancienne Côte des Esclaves, Paris 1943).
Algumas das histórias de ifá publicadas neste artigo dão um resumo da imagem dupla formada pela tradição, ou, mais exatamente, pelas tradições, sobre ìyàmì. O primeiro aspecto sob o qual ela é conhecida é o de mulheres velhas, donas de uma cabaça contendo um pássaro, transformando-se, elas próprias, em pássaros, organizando entre si reuniões noturnas na floresta, para se alimentarem do sangue de suas vítimas e se entregarem a trabalhos maléficos variados. 
O segundo aspecto de ìyàmì, menos conhecido, é aquele de divindade deposta, "nossa mãe chamada Odù"(não confundir com odù de ifá), ou Odù lógbóje, aquela que ao vir ao mundo, recebe de Olodumaré o poder sobre os orixás; poder simbolizado pelo eye, o pássaro. Ela torna-se eleye (proprietária do pássaro ou proprietária da força do pássaro).
Ela recebe também uma cabaça, imagem do mundo e contendo seu poder, cujo controle, entretanto, será conservado por ela....".
Enriquece a publicação uma coletânea de 10 histórias da tradição oral dos iorubas, traduzidas, conservando, entretanto, o estilo e a forma de narração dos babalaôs, e um oriki.

II. A contribuição especial das mulheres ao candomblé do Brasil (pág. 93/117)
( Pierre Verger )

Artigo apresentado no colóquio As Sobrevivências das Tradições Religiosas Africanas nas Caraíbas e na América Latina, promovido pela UNESCO em São Luís do Maranhão (1985), publicado in Culturas Africanas, UNESCO (CC-86 / WS / 37).
Analisando certos aspectos históricos e econômicos do tráfico de escravos, as etnias vindas para cá, as tradições e os hábitos das escravas africanas transmitidos às suas descendentes brasileiras, determinaram um certo tipo de comportamento e atitude, levou o autor a concluir "que estas mulheres africanas e as suas descendentes brasileiras contribuíram grandemente, pela sua competência, pela sua autoridade, pela sua elegância e pela fidelidade às tradições herdadas, para o prestígio e a dignificação das cerimônias de adoração dos deuses africanos no Brasil".

III. Contribuição ao estudo dos mercados nagôs do baixo Benin
( Pierre Verger e Roger Bastide, tradução de Marta Moraes Nehring )

Artigo, cujo título do original francês é Contribution à l’étude sociologique des marchés Nagos du Bas-Dahomey, foi publicado em 1959 in Cahiers de l’Institut de Science Économique Appliquée, no 95.
"...A feira é uma instituição capaz de, ao mesmo tempo, permitir um comportamento do tipo "capitalista" e de "procura de lucro", e estar profundamente enraizada no comportamento tradicional, comunitário. Isto decorre, em parte, do fato de ser a feira o instrumento de "publicação" de tudo o que concerne as células familiares, ou seja, porque nela se dá a passagem do "privado" ao "público ...
As feiras, interligadas em redes, não permitem apenas a circulação de mercadorias, pois, com os homens e mulheres que transportam estes produtos vão as crenças, os sentimentos e as atitudes que se difundem de norte a sul e de leste a oeste. Esta relação é mais intensa na medida em que, na maioria dos casos, são sempre as mesmas feirantes freqüentando as mesmas feiras e se instalando no lugar de sempre. E apesar de as estradas afetarem o esquema tradicional das quatro feiras percorridas sucessivamente e sempre na mesma seqüência, a maioria das vendedoras – e dos vendedores, menos numerosos – continuam se encontrando e trocando notícias e comentários.
A feira representa, então, para uma população analfabeta, o equivalente aos jornais e revistas, mas como o público que ela atinge não é anônimo, como o da imprensa, e sim "concreto" e conhecido, o "jornal vivo" detém um outro âmbito de poder. E aqui ressurge a noção de controle social que mencionamos acima. Controle este exercido de tal modo que permite a manutenção dos costumes tradicionais e, ao mesmo tempo, deixa as idéias novas, vindas da costa, se insinuarem pouco a pouco nestes hábitos, transformando-os sem grandes conflitos....".

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